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Associação dos Membros Filiados

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Centro de Estudos Luiz Vizzoni - Associação de Membros Filiados
Cynthia Peiter, Michael Harald Achatz, Rita Andréa Alcântara de Mello e Sylvia Pupo Netto

 

 

A Associação dos Membros Filiados traz consigo a marca da inovação como a primeira associação de psicanalistas em formação na América Latina. A proposta de uma organização de membros em formação surgiu no final dos anos 60, com o intuito de inaugurar um espaço de reflexão e discussão sobre a formação psicanalítica dentro do próprio Instituto.


“Centro de Estudos Luiz Vizzoni” foi o nome inicialmente escolhido com a intenção de homenagear um colega que veio a falecer logo no início da sua formação.


A Associação ao longo dos anos promoveu cursos ministrados por estrangeiros, ofereceu bolsas de estudos a analistas em formação e foi responsável pela vinda de analistas nacionais e internacionais a São Paulo. Sua participação ativa no início do Jornal de Psicanálise inaugurou um espaço para a publicação de artigos dos membros filiados e a possibilidade de apresentação de trabalhos em congressos foi amplamente conquistada.


A existência de um lugar de encontro e trocas entre colegas ressalta uma função fundamental do agrupamento como valioso lugar de horizontalidade, da convivência com pares, de expansão e apoio, oferecendo oportunidades de confronto e de elaborações da convivência grupal e da formação analítica. Os que narram suas passagens por esta organização deixam um inevitável tom apaixonado, de quem teve experiências muito significativas que não somente marcam história na Instituição, mas também suas próprias carreiras e sua relação com a formação analítica.


A formação em Psicanálise é um processo individual, que aponta para mudanças profundas e intensas em nossas vidas pessoais e profissionais. Talvez muitos não saibam do extenso e infindável processo do “tornar-se” analista - longo e intenso investimento pessoal e financeiro. Processo sustentado, literalmente, pelo desejo, pela vocação ou mesmo uma crença apaixonada de que vale a pena. Estamos em grande parte a sós em nosso trabalho, na sala de análise, com nossas reflexões a respeito dos nossos pacientes, incluindo nossos pensamentos e teorias implícitas. O convívio com o grupo nos parece excelente contraponto para compartilhar as vicissitudes vividas no decorrer da experiência psicanalítica individual. Além da análise pessoal, grupos de estudo e supervisão, as trocas entre colegas são fundamentais para equilibrar este isolamento, embora necessário e criativo, com uma oxigenação pelo externo, através de novos vínculos e ideias que a circulação grupal favorece.


Através das representações junto à Diretoria da Instituição, da participação da Associação em atividades científicas, culturais e sociais, com ênfase na divulgação dos trabalhos dos analistas em formação, tentamos atualmente servir com representatividade para 380 Membros Filiados, na difícil tarefa de acomodar e considerar as diferenças individuais e ao mesmo tempo servir como grupo de sustentação e referência ao longo da formação analítica.


O compasso de maior integração entre os membros filiados e o Instituto bem como a busca pelo contato estruturado com as outras organizações nacionais e internacionais de analistas em formação tem aberto oportunidades de participação e intercâmbio com outras culturas psicanalíticas, criando assim uma rede ampliada de apoio mútuo.


Muitos já salientaram o valor do estabelecimento de outros lugares transferenciais para além das análises pessoais. Como disse Fabio Herrmann, valorizar a pluralidade teórica na formação é importante, mas a pluralidade de identificações e transferências é também fundamental.  O estabelecimento de vínculos e identificações significativas proporciona uma ampliação de ideias e contribui para “diminuir o risco de sectarismo de guetos”, disse ele. Também L.C. Menezes levanta este aspecto de ampliação, defendendo que se evite a “monotransferência”, como uma estratégia para tentar “conter a loucura institucional”. (Herrmann e Vannuchi, 1996).


Para finalizar, citamos as palavras de Andre Green que tão bem delineiam a importância das associações e do intercambio ao longo da terminável e interminável jornada do tornar-se analista:


“Hoje, as exigências da nossa profissão, as decepções que ela nos impõe (apesar das alegrias que nos dá), a incompreensão de que o nosso trabalho é alvo, os mal-entendidos suscitados pelo nosso diálogo com a cultura, tudo isso faz que os analistas tenham necessidade uns dos outros... é fato provado que um analista solitário vê estiolar-se seu potencial analítico. É comum verificar-se que o melhor amigo de um analista é outro analista.” (Green, 1984).


Referencias bibliográficas

GREEN, A. O Outro e a Experiência de Self. In: KHAN, M. Psicanálise Teoria, Técnica e Casos Clínicos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1984.

HERRMANN, L; VANNUCHI, A.M.V. Associação de Candidatos: Um quarto de século. Maioridade possível?. In: Jornal de Psicanálise, São Paulo, 29(54): 127-151, set.1996.